Não importa o que acontece, importa o que fazemos com o que acontece. A frase de Schopenhauer serve como antídoto para a ansiedade que reaparece a cada início de ano, quando buscamos em previsões e relatórios globais uma ilusória sensação de controle.
O ritual é conhecido, consultar análises de bancos, empresas e big techs. O resultado quase sempre se repete: inteligência artificial em alta, dólar instável, foco em produtividade, bem-estar e sustentabilidade. Um déjà-vu anual.
Em 2026, contudo, o cenário geopolítico reforça a ideia de um mundo multipolar. Os Estados Unidos mantêm forte influência no continente americano; a China consolida sua liderança na Ásia e amplia sua presença global; e a Rússia preserva protagonismo regional, apesar das pressões externas.
Documentos oficiais desses três países revelam prioridades distintas, mas um ponto comum: todos olham para si mesmos. China e Rússia apostam no mercado interno; a Rússia demonstra cautela fiscal; e os Estados Unidos apresentam a agenda mais disruptiva, com disputas por minerais críticos, tarifas comerciais e novas dinâmicas energéticas. Em resumo: tudo pode acontecer.
É aqui que está o ponto central. Tendências são apostas, não certezas. Expressam narrativas e interesses, ainda que, no caso das grandes potências, acompanhadas de poder para tentar moldar a realidade.
Para nós, o ganho está em abandonar a ilusão da previsão e construir cenários otimistas, pessimistas e realistas. Preparar-se para múltiplas possibilidades não elimina a incerteza, mas reduz a ansiedade.
No fim, não é o que acontece que importa, mas o que fazemos com o que acontece. Nada controlamos, mas é no preparo que, paradoxalmente, encontramos a possibilidade de relaxar.
@Speaker_Alexandre_Garcia
| Palestrante | Escritor | Pesquisador | Doutor em Inovação | Facilitador | Professor de Pós Graduação |